{"id":4729,"date":"2025-02-12T14:05:39","date_gmt":"2025-02-12T14:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/?p=4729"},"modified":"2025-02-21T14:14:19","modified_gmt":"2025-02-21T14:14:19","slug":"o-destino-do-lixo-da-construcao-civil-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/o-destino-do-lixo-da-construcao-civil-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"O destino do lixo da constru\u00e7\u00e3o civil em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Estudo aponta terrenos viciados, espa\u00e7os p\u00fablicos e margem de rios como destina\u00e7\u00f5es habituais para res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Breno Damascena &#8211; editada por Mariana Collini em 12\/02\/2025<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00e9dios luxuosos, casas humildes e puxadinhos em periferias estampam o desenvolvimento urbano promovido pela constru\u00e7\u00e3o civil. No rastro deste progresso, muito lixo. Os res\u00edduos gerados pelas constru\u00e7\u00f5es, reformas, reparos e demoli\u00e7\u00f5es que acontecessem incessantemente no Estado de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o, em sua maioria, despejados incorretamente, o que gera polui\u00e7\u00e3o em \u00e1reas p\u00fablicas e beiras de rios.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um estudo realizado pela EnvEx Engenharia e Consultoria, o cen\u00e1rio \u00e9 marcado por desconhecimento e informalidade. \u201cA popula\u00e7\u00e3o em geral n\u00e3o sabe o que fazer com estes res\u00edduos\u201d, comenta Helder Nocko, diretor da EnvEx Engenharia e coordenador geral do levantamento que examinou 42 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo que est\u00e3o localizados na bacia do Alto Tiet\u00ea<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGrande parte joga seus res\u00edduos no terreno baldio mais pr\u00f3ximo. Quando n\u00e3o encontram este tipo de espa\u00e7o, buscam um lugar p\u00fablico para fazer o descarte. Por isso, muitas vezes, o lixo acaba na beira do mato ou de um rio\u201d, indica Nocko.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Encomendado pela Fabhat (Funda\u00e7\u00e3o Ag\u00eancia da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea), bra\u00e7o executivo do CBH-AT (Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea), e financiado pelo Fehidro (Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos), o estudo aponta que a maioria dos munic\u00edpios de S\u00e3o Paulo n\u00e3o possui legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para regulamenta\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Das 42 cidades avaliadas, 74% n\u00e3o exigem documentos comprobat\u00f3rios de gerenciamento e destina\u00e7\u00e3o destes res\u00edduos para emiss\u00e3o de alvar\u00e1 e habite-se. J\u00e1 62% deles n\u00e3o possuem defini\u00e7\u00e3o regulamentada de pequeno e grande gerador de res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o civil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a maioria das cidades nem mesmo consegue distinguir o grande produtor de lixo do pequeno produtor. Desta forma, torna-se ainda mais dif\u00edcil aplicar determina\u00e7\u00f5es e san\u00e7\u00f5es de acordo com o tipo de produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. \u201cNo fim, o munic\u00edpio acaba se tornando respons\u00e1vel por gerir os res\u00edduos de todos os tipos de constru\u00e7\u00e3o\u201d, contextualiza Nocko.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Destina\u00e7\u00e3o inadequada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Construtoras de grandes empreendimentos geralmente precisam cumprir legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a gest\u00e3o dos res\u00edduos provenientes da constru\u00e7\u00e3o civil. Por\u00e9m, quase 70% dos res\u00edduos s\u00e3o gerados por pequenos construtores. S\u00e3o aquelas pessoas que, por exemplo, constroem ou realizam reformas no pr\u00f3prio im\u00f3vel de maneira informal.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo observa que 73% dos munic\u00edpios oferecem algum tipo de servi\u00e7o para recolhimento de res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o civil para este grupo. Al\u00e9m disso, 35% contam com coleta residencial, 43% com ecopontos e 22% com coleta residencial. Apenas 26% n\u00e3o oferecem nenhum tipo de servi\u00e7o p\u00fablico de coleta para os pequenos geradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, seja por desconhecimento ou desinteresse, a destina\u00e7\u00e3o inadequada pela popula\u00e7\u00e3o e por ca\u00e7ambeiros \u00e9 um dos grandes problemas enfrentados pelos munic\u00edpios. N\u00e3o \u00e9 raro, por exemplo, que os rios sejam o ponto de descarte destes materiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, 17% dos res\u00edduos observados no c\u00f3rrego Novo Mundo s\u00e3o oriundos da constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cIsso sem contar que objetos como telha e restos de tijolos s\u00e3o mais pesados e n\u00e3o chegam a ser detectados pelo instrumento que utilizamos para fazer esta coleta nos rios\u201d, observa a engenheira ambiental Roberta Greg\u00f3rio, coordenadora da EnvEx Engenharia e gestora do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 levar o lixo at\u00e9 um ponto de entrega volunt\u00e1rio. \u201cPor\u00e9m, o pequeno construtor n\u00e3o sabe o que fazer, n\u00e3o tem um transporte ou tem pregui\u00e7a\u201d, justifica Nocko. \u201cO res\u00edduo \u00e9, ent\u00e3o, jogado em um terreno inapropriado. A partir do momento que a primeira pessoa joga lixo neste ponto, ele fica \u2018viciado\u2019, desinibindo outras pessoas de fazerem o mesmo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caminhos poss\u00edveis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dos res\u00edduos de pl\u00e1stico, vidro e papel\u00e3o a revestimentos, peda\u00e7os de tijolo e argamassa aproximadamente 95% do lixo produzido na constru\u00e7\u00e3o civil pode ser reciclado, indica a engenheira ambiental Fernanda Muzzolon Padilha, que apoiou a coordena\u00e7\u00e3o do estudo. \u201cQuase tudo pode ser triturado e ser destinado para outros fins. O tijolo, por exemplo, serve como base para estrada rural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntretanto, ainda existe bastante preconceito e falta de conhecimento sobre o potencial dessa reciclagem. \u00c9 necess\u00e1rio fomentar o mercado\u201d, adiciona.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o estudo aponta que apenas tr\u00eas dos 42 munic\u00edpios avaliados destinam, pelo menos, alguma parte dos res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o civil para a reciclagem: S\u00e3o Paulo, Guarulhos e Santo Andr\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estes munic\u00edpios contam com usinas fixas para o tratamento adequado destes res\u00edduos. A maioria dos munic\u00edpios do estado conta com usinas m\u00f3veis adquiridas por meio de cons\u00f3rcios intermunicipais. \u201cPara as cidades menores, essa \u00e9 uma sa\u00edda v\u00e1lida. O processo \u00e9 custoso e ter solu\u00e7\u00f5es em cons\u00f3rcios ajuda\u201d, recomenda Nocko.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-imoveis-estadao wp-block-embed-imoveis-estadao\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VFGOFtU71k\"><a href=\"https:\/\/imoveis.estadao.com.br\/decoracao-reforma-e-construcao\/para-onde-vai-o-lixo-da-construcao-civil-em-sao-paulo\/\">Para onde vai o lixo da constru\u00e7\u00e3o civil em S\u00e3o Paulo?<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Para onde vai o lixo da constru\u00e7\u00e3o civil em S\u00e3o Paulo?&#8221; &#8212; Im\u00f3veis - Estad\u00e3o\" src=\"https:\/\/imoveis.estadao.com.br\/decoracao-reforma-e-construcao\/para-onde-vai-o-lixo-da-construcao-civil-em-sao-paulo\/embed\/#?secret=H1SIMgElc4#?secret=VFGOFtU71k\" data-secret=\"VFGOFtU71k\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo-1024x769.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4730\" srcset=\"https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo-1024x769.png 1024w, https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo-300x225.png 300w, https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo-768x577.png 768w, https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo-1536x1154.png 1536w, https:\/\/summits.estadao.com.br\/imobiliario\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lixo.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o\/EnvEx<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo aponta terrenos viciados, espa\u00e7os p\u00fablicos e margem de rios como destina\u00e7\u00f5es habituais para res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o Por Breno Damascena &#8211; editada por Mariana Collini em 12\/02\/2025 Pr\u00e9dios luxuosos, casas humildes e puxadinhos em periferias estampam o desenvolvimento urbano promovido pela constru\u00e7\u00e3o civil. 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